sábado, 18 de novembro de 2017

Os Cinco Níveis da Alma

Tenho uma pequena gota de sabedoria em minha alma.
Deixe que ela se dissolva no seu oceano.
- Rumi -



A alma é a essência divina indivisível e inseparável. No entanto, como ela emana do infinito e na eventualidade da necessidade de se vestir do corpo físico, a alma desce através dos cinco níveis de manifestação, fixando sua raiz em cada um destes níveis, até que esteja vestida em um corpo físico. Portanto, existe cinco níveis da alma, ou níveis de consciência divina, correspondendo aos vários níveis de percepção da realidade, ou níveis da revelação divina, manifestada em cada um dos planos de existência da alma. A alma, envolvida pelo corpo, é um reflexo da matriz divina. Esta matriz, pode ser descrita como um molde espiritual da forma física do homem, unindo sua alma à vestimenta física do corpo. A alma jamais pode ser destruída, o núcleo de nossa verdadeira natureza, nunca poderá ser perdida. Ela, a alma, está escondida por trás da máscara da personalidade. Da Árvore da Vida deriva a matriz da forma, por esta matriz que é estrutura dos mundos, através dos quais a alma desce em sua jornada, vestindo um corpo, neste plano existencial. Assim, o homem inclui toda a Criação dentro dele, desde a espiritualidade mais elevada até a fisicalidade mais mundana. Ao analisar, do ponto de vista, do homem servindo a Deus, os níveis da alma podem ser descritos, como cinco níveis ascendentes da consciência e comunhão com o Divino. Estes níveis são denominados na seguinte ordem: Nefesh - נפש, Ruach - רוּחַ, Neshamah - נשמה, Chayah - חַיָה, Yechidah - יחידה. Em relação a estes níveis da alma, quando há um nascimento, o Livro de Esplendor – Zohar, afirma que a pessoa recebe um Nefesh – נפש, do plano existencial de Asiya – אסייה. O plano existencial mais inferior, do qual a divindade está mais oculta. Portanto, através da devoção e serviço ao Divino, o homem pode alcançar a graça de então receber Ruach – רוּחַ, do plano existencial de Yetzirah – יצירה. Ainda em busca do criador e pelo exercício da devoção, o homem pode receber a revelação de Neshamah – נשמה, do plano existencial de Beriyah – ברייה. No esforço pessoal, o homem que segue a senda da Luz e da Verdade, pode alcançar a graça de receber a elevação de Chayah – חַיָה, do plano existencial Atzilut – עתלוט, podendo até chegar Yechidah – יחידה, que em essência, transcende todos os mundos, já que nunca estará separado da divindade. Este estado de consciência, retrata ser a “verdadeira parte de Deus acima”, a faísca da criatura recebe a centelha do Criador.

A vitalidade de Nefesh no mundo de Asiya, o mundo da ação.

O nível da alma mais conectada à fisicalidade, é o de Nefesh. Essencialmente, Nefesh é a singularidade da estrutura atômica, entendendo por isso, que toda a partícula de matéria tem um Nefesh, desde da mais diminuta partícula até ao mais gigantesco astro celestial. Todo o universo está impregnado de Nefesh, a força vital que manifesta a vida. Em uma visão humana, Nefesh está conectada à consciência corporal e é a parte humana que mais possui a ligação com este plano existencial. É o nível mais baixo da consciência, porém, esta consciência do corpo físico não é uma consciência passiva. Pelo contrário, este estado de consciência é de fato a força vital do corpo e por ser esta força, Nefesh, tem consciência do corpo pelo emaranhamento entre si. Nefesh, não cria o corpo, o corpo foi criado por Deus, como relatado em Gênesis 2:7. Após ser criado por Deus, o homem - “pó da terra”, recebeu o sopro da vida. Este “sopro” é Nefesh, a força vital que se expandiu no interior do corpo humano, então, o “barro” ganhou vida. Consequentemente, é Nefesh que acompanha o corpo ao túmulo e permanece com ele por um longo período, participando em todo o processo de purificação pós morte. Assim como, neste plano existencial, a materialidade é essencial para a manifestação da consciência da fisicalidade, a ação é a característica dominante sobre o homem e sua alma. Nefesh, às vezes é chamada de alma “animal”. O Zohar, O Livro de Esplendor, descreve belamente Nefesh; “Nefesh é a vibração mais baixa em que o corpo se fragmenta, como a luz escura no fundo da chama de uma vela, que se apega ao pavio - “corpo”, existe somente através dela. Quando a vela está totalmente acesa, essa luz escura, torna-se a base para uma luz branca, que acima dela, como o próximo nível superior da alma - “Ruach” se faz perceber. Quando ambas estão completamente acesas, a luz branca se torna a base para uma luz que não pode ser totalmente discernida, como um nível mais alto da alma: “Neshamah”. E a luz está completa, resplandecendo na escuridão”. Portanto, Nefesh é o nível mais denso da alma e o menos ligado à sua fonte divina. Porém, é o fundamento de todos os níveis da alma e o qual mais tem vínculo direto com o corpo. Por este aspecto, a alma é a integralidade da própria vida e qualquer lei pode ser substituída, pela determinação em salvar uma vida. Assim como, a matéria física pode ser organizada em formas cada vez mais complexas, desde organismos unicelulares ao ser humano, também a alma essencial pode desenvolver aspectos, níveis mais altos da alma, que estão mais unidos com a fonte central de criação. Este processo, é o que distingue a vida humana a serviço de Deus. A devoção a Deus na execução de qualquer atividade, é o ser humano a serviço de Deus, no nível de Nefesh, e com isso, o homem reconhece e se submete à autoridade suprema de Deus. Este estado, é reconhecido como “aceitar o jugo do céu”.

As emoções primárias de Ruach no mundo de Yetzirah, o mundo da formação.

Ruach, é o próximo nível de alma a um plano superior de consciência, em relação ao grau de Nefesh. O termo, Ruach, significa vento ou espírito e está relacionado a consciência e informações elementares, que se movem através dos sentidos. Enquanto, Nefesh está associado à consciência corporal, Ruach está diretamente vinculado à consciência emocional. A espiritualidade humana, está baseada no nível de alma de Ruach. Este nível da alma, nos impele às lágrimas quando somos tocados pela grandiosidade de um poema, de um olhar, de uma obra de arte ou ainda, por uma simples contemplação de uma imagem da natureza. O amor, nesse nível, é mais real e mais duradouro. O senso de propósito e significado na vida, é proporcional ao estágio de entrelaçamento de Ruach com o homem. A força com que o homem se deixa envolver pelo Espírito de Deus, Ruach, está em como vivemos a nossa vida, onde e como, passamos o nosso tempo, e a “matéria prima”, que ingerimos pelos nossos cinco sentidos. Como o alimento, que nutre e sustenta a fisicalidade do corpo, a alma é sustentada pelas experiências do dia a dia. Quando a alma, no nível de Ruach, alcança a sua elevação mais alta, este estado é descrito como Ruach haKodesh, ou seja, “espirito santo”. É o estado do ser, que transcende a consciência comum. Essa transcendência, leva o homem habitar uma outra dimensão da realidade e obtém uma visão clara de como a vida acontece. Este nível, é alcançado pelo trabalho devocional e contemplativo de Deus e Sua obra. A devoção amorosa, do homem em relação a Deus, são despertados ao contemplar a energia divina, que forma e mantém o mundo de Yetzira, ou seja, o mundo da formação. Embora o intelecto, possa ser usado extensivamente nesse nível de alma, no entanto, o foco principal do intelecto aqui, é a contemplação para o despertar das emoções. Os sábios rabinos, se referem a ele como "o trabalho do coração", através do qual, se veem amando a Deus com todo o coração. Entretanto, este é um nível de amor menor, uma vez que é gerado ao contemplar níveis mais baixos da energia criativa de Deus.

O transpor da essência de Neshamah em Beriyah, o mundo da criação.

A principal atividade do Neshama está na compreensão conceitual do intelecto, como diz o verso, "Mas há um espírito no homem: e a inspiração, Neshamah - וְנִשְׁמַ֖ת, do Todo-Poderoso dá-lhes entendimento.", Jó 32: 8 . O nível de Neshamah, contempla a manifestação da energia divina no mundo de Beriyah. O Zohar, o Livro de Esplendor, descreve o Neshamah da seguinte maneira: “O Nefesh e Ruach se entrelaçam juntos, enquanto o Neshamah, reside no caráter de uma pessoa. Esta é uma morada, que não pode ser descoberta ou localizada. Se uma pessoa se esforça para a pureza na vida, esta pessoa é auxiliado por um Neshamah sagrado. Mas, se a pessoa não se esforça para a justiça e a pureza da vida, esta pessoa é animada apenas por dois estados da alma: Nefesh e Ruach”. A palavra Neshamah, tem a mesma raiz no hebraico. NshM, como a palavra “respirar”. Este nível da alma, está associado a maior consciência e a reinos angélicos, é uma qualidade definidora da consciência humana. Considerando, que todas as pessoas consegue desenvolver o aspecto Neshamah de suas almas, não há garantia de que o façamos. Neshamah, analisa os princípios subjacentes, abstraídos das categorias de pensamento que lhes são impostas, pela mente humana e pela experiência humana. Procura transpor a essência e não o efêmero. Um dos sinais, de que uma pessoa está nesse nível de consciência é que, quando a mente está claramente focada em um conceito Divino apropriado, todos os sentidos se tornam temporariamente nulos. Posteriormente, devido à abundância de luz espiritual que se experimenta neste nível, as emoções de amor e admiração são automaticamente despertadas, e em muito maior extensão do que no nível anterior, onde o esforço foi gasto para despertar as emoções. Do ponto de vista espiritual, a nossa vida é desencadeada pelo combustível que é a ação consciente e pela oxigenação de uma vida limpa. O homem, precisa de uma boa mistura dos dois para obtenção de alta temperatura, suficiente em vitalizar o seu maior potencial de alma. Uma vez, que isso é realizado, temos acesso à áreas ampliadas da consciência em outros planos existenciais. Não há garantia, porém, do poder de manutenção do nível da alma mais elevada, mas presume-se que o propósito da existência humana é fonte desse objetivo elevado. O Zohar, o Livro de Esplendor, diz que; “No início, uma pessoa tem um Nefesh. Então, esta pessoa é coroada pelo grau que repousa sobre o Nefesh, que é o Ruach. Depois disso, um estado superior que domina os outros, o Neshamah, assume sua o lugar, e a pessoa se torna digna do mundo vindouro. Nefesh, não pode existir sem a ajuda de Ruach, e a alma em seu nível mais elevado, é sustentada por Neshamah. Os três formam uma unidade existencial”. O Neshamah, emana de uma fonte elevada, enquanto o Ruach, emana de uma origem um pouco menor. Quando essas duas fontes se unem, elas brilham com uma luz celestial e são chamadas de "lâmpada". De muitas maneiras, o Neshamah é um aspecto essencial da criação. Como o Neshama é um aspecto da alma, que está diretamente relacionado com a fonte divina da vida, é através do Neshamah e dos níveis mais altos da alma, que somos aliados de Deus no contínuo desdobramento da criação. O Neshamah, é puro em sua essência. Não pode ser manchado. Quando morremos, ele retorna imediatamente à sua fonte.

A contemplação da energia divina de Chayah em Atzilut, o mundo da emanação.

No nível de Chiya, a alma se funde em um estado de completa anulação do ego e acessa o conhecimento da verdade absoluta das coisas. O aspecto da alma chamada Chayah, contempla a energia divina do mundo de Atzilut. Considerando, que a atividade primária do nível de Neshamah, é usar a compreensão intelectual para alcançar a comunhão com Deus como o Criador dos mundos. Aqui, o conhecimento da alma, não está na imanência dos atributos Divinos, que identificam a natureza da energia divina manifestada na Criação, mas sim, sabendo o que Deus não é, ou seja, como Ele não é limitado ou definido pelo universo finito. Assim, a alma se funde em um estado de completa anulação do ego. Não há auto busca e nenhuma auto identidade fora de Deus. Chayah, se chama Deus amoroso "com todo o ser", conforme relatado em Deuteronômios 6:5 “E amará o SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração, e com toda a sua alma e com todas as suas forças.” . Este é o conhecimento da verdade absoluta das coisas. O estado da alma em Chayah, que significa essência viva, é tão etérico que tem pouca conexão com a fisicalidade do corpo e principalmente habita em outros reinos. É muito sutil para a nossa consciência e só nos conscientizamos deste nível, quando entramos em estados alterados de consciência. Nesses raros momentos, em que experimentamos a unidade oceânica e uma luz brilhante da unicidade pura, estamos tocando na consciência do Chayah. Nada pode ser dito sobre esse nível de alma, exceto que representa o maior grau de consciência acessível aos seres humanos. Este é o reino da “sabedoria”, que é a fonte de todos os “entendimentos”. A experiência da iluminação humana, fundida com Deus, habita a dimensão da alma do Chayah. É muito sutil para ser descrito, muito brilhante para ser contido em um conceito.

A essência da alma natural em Yechidah.

O nível da alma mais conectada com a fonte de consciência é chamado Yechidah, o que significa unidade. É o ponto central da alma e, como tal, desaparece na infinitude da criação. Alguns diriam que este é o aspecto da alma que é ligado rígida e diretamente na essência do Divino. É aí que a dualidade se dissolve. É muito sutil para a consciência humana. Yehidah, é o nosso último vínculo com Deus, a parte de nós que nunca pode ser separada do Divino. Quando tudo mais falhar, a consciência de nossa doação de Yehidah, pode ser suficiente para nos levar em nossos momentos mais difíceis. Correspondendo ao nível de alma primordial. Assim como o mundo sublime, puro e transcendente, desagrega e reflete a Luz Infinita original. Esta é a essência da alma natural e imutável, ligada ao Santo. Este é o nível de alma, revelado no momento do auto sacrifício ou do martírio por causa de Deus.

Estamos nos esquecendo.

Ninguém realmente sabe o porquê, mas as pessoas começaram a se esquecer de quem eram. Ao se esquecerem, começaram a se sentir separadas, separadas da terra, separadas umas das outras e até mesmo, de Quem as havia criado. Ficaram perdidas, vagando pela vida, sem nenhuma direção ou destino. Nesse estado de segregação, acreditavam que deviam lutar para sobreviver aqui neste mundo, para defender-se das mesmas Forças que lhes concederam a vida, que tinham aprendido a viver com tanta harmonia e confiança. Logo passaram a se proteger, energicamente do mundo em que viviam, em vez de viverem em paz com o mundo que estava dentro deles.

Vá! Vá agora!  Não pare no caminho, o tempo tem pressa!
A vela está acesa, e a chama ainda queima!

¡Vaya! ¡Vaya ahora! No se detenga en el camino, el tiempo tiene prisa!

La vela está encendida, y la llama aún quema!

Go! Go now! Don't stop in the way, the time have hurry!
The candle is lit, and flame still burn!

Fontes: http://laitman.com.br, https://www.rabbidavidcooper.com, http://www.kabbalah.info, Gate of Heaven, A Matriz Divina, http://www.morasha.com.br, O Zohar - O Livro de Esplendor, Sefer Yetzirah, Sefer HaBahir.

Bàbá Oju mla Ègbé

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Bereshit - O Dia Um de Deus.



No começo, do nada total e absoluto, o Criador produziu uma substância tão fina que não tinha corporeidade, mas essa substância sem substância, poderia assumir uma forma. Esta foi a única criação física. Agora, esta criação era um ponto muito pequeno e, a partir disso, todas as coisas que já foram ou serão formadas ... Se você merecer e entender o segredo da primeira palavra, bereshit - בראשית, você saberá por que a tradução de Jerusalém é "Com sabedoria, Deus criou os céus e à terra". Mas nosso conhecimento disso é menos que uma gota no vasto oceano.

- Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides,, Comentário ao Gênesis -

Desde sua primeira tradução para o latim, feita por Jerônimo no final do século IV DC, como também para a língua inglesa, a palavra bereshit - בראשית tem sido mal traduzida. Jonh Wyclif, por volta de 1380 questionou: Qual o problema dessas traduções? O problema, é que a tradução apresentada até então para bereshit - בראשית, foi traduzida como "No princípio". Se este fosse, de fato, o significado exato, a vocalização desta palavra teria uma forma diferente, com um qamatz embaixo da letra hebraica Bet, formando a palavra bareshit. Portanto, é bereshit - בראשית e o que temos sh'va embaixo da letra hebraica Bet. O sinal vocálico sh'va, usado, indica um artigo indefinido, enquanto o qamatz demonstra um artigo definido, dessa forma, a palavra poderia significar "Em um começo". Desde os tempos medievais, a dificuldade de traduzir esta palavra foi reconhecida e atraiu a atenção de muitos mestres rabinos, como Ibn Ezra e Rashi, cada um, de seu ponto de vista, articularam uma explicação de que a palavra não se refere ao início absoluto de tudo. Entretanto, deve ser compreendida como uma declaração sobre quando Deus voltou a Sua atenção para este plano existencial. Tanto um, como outro, os mestres rabinos fizeram uso da análise gramatical para demonstrar que o verso de Gênesis 1:1, serviu como uma cláusula preposicional e deveria ser lida como: "Quando Deus começou a criar...". Pode-se argumentar que o registro dos textos em hebraico não possuem vogais. Portanto, como é possível saber com certeza, a forma correta da pronúncia da palavra  bereshit - בראשית? Essa certeza, veio através dos Masoretas, que  no século VII DC, iniciaram um trabalho de padronização dos textos bíblicos e adicionaram sinais vocálicos. Baseando-se em tradições orais de mais de mil anos de extensão. Existe também, outras razões que sustentam o trabalho dos Masoretas e garante que a vocalização está correta. O fato é que, há indicação do reconhecimento pelos mestres dos tempos pré-talmúdicos, que, de fato, existe alguma ambiguidade quanto à compreensão do primeiro verso bíblico. Por exemplo: No livro de Provérbios 8:22-27, os mestres rabinos apontaram algumas palavras: 

22 - O SENHOR me possui como fundamento do Seu Caminho, antes mesmo do princípio das Suas obras mais antigas; 23 - fui formada desde a eternidade, desde a origem de tudo, antes de existir à terra. 24 - Nasci quando ainda nem havia abismos, quando não existiam fontes carregadas de água; 25 - antes de serem estabelecidos os montes e de se formarem as colinas, eu já existia. 26 - Ele ainda não havia formado à terra, tampouco os campos, ou as partículas de poeira com as quais fez o mundo. 27 - Quando Ele estabeleceu os céus, lá estava Eu; quando delineou o horizonte sobre a superfície do abismo,

Observe! Quem já estava presente na "criação"? A Sabedoria! Como uma espécie de força da natureza, a Sabedoria foi reconhecida por todas as culturas do antigo Oriente. Observamos que, em várias traduções da Bíblia, iniciando pela tradução AC - Aramaico do Primeiro Século, até Targums, traduzem a palavra bereshit - בראשית, como "sabedoria". 

Com sabedoria, Deus criou e aperfeiçoou os céus e à terra.
No início, com sabedoria, Deus criou ...
- Jerusalém Targumim -

Baseados em evidências, que são considerados pelos estudiosos, os Targums são fundamentados em tradições de traduções de centenas de anos anteriores, mesmo antes de o aramaico suplantar por completo o hebraico como língua utilizada pelos judeus no dia a dia. Philo, no primeiro século DC, salientou que a Sabedoria possui diversos sinônimo, inclusive "Imagem", "Aparência de Deus" e Princípio. Dito isso, se lermos Gênesis 1:1 como, "Em um começo, Deus criou os céus e à terra", não considerando as ideias esotéricas sobre os universos paralelos, universos oscilantes, sendo este último, que envolvem múltiplas explosões, multiversos e universos fractais; o que esta expressão quer nos dizer sobre o bíblico processo da criação? Quais são as outras criações? Observamos, que o relato bíblico de Gênesis 1:1 usa, ainda, a palavra bara - ברא - "criada". Esta palavra é utilizada nos textos bíblicos, cinco vezes: uma vez em Gênesis 1:1, novamente em Gênesis 1:21, utilizada para os animeis com nefesh, e três vezes em Gênesis 1:27, para os humanos com neshama. Identifica isso, que a Torah indica que, uma vez criados os "Céus e à Terra", isso capacitou o universo de formar tudo o mais, por sua própria conta. Uma vez iniciada a criação, não havia necessidade de nenhuma criação mais, exceto, para os animais e para os seres humanos, por causa da vida e da alma que os mesmos possuíam. O Tanakh atribui outras criações a Deus. O profeta Isaías 45:7 escreve: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; Eu, Yahweh, faço absolutamente tudo!". É impressionante esta afirmação! Afirma o processo contínuo que é a criação. No momento das benção antes da Sh'ma, lê-se: "... em Seu Deus, dia após dia, Você renova a criação". A história descrita em Gênesis 1:1, somente descreve a criação que introduz à imagem de Adão. E o que dizer do mundo de Adão povoado por outras pessoas? Como por exemplo, a esposa de Caim e seus parentes. Haveria uma outra criação acontecendo? Transparece que a esposa de Caim, residia neste planeta e estava inclusa em uma criação separada. Notável citar que há uma midrash, na qual se cita uma especulação que na grande inundação, nos tempos de Noé, havia muitas criações anteriores e isso vem em apoio da ideia de "Em um princípio...".

Rabi Abbahu disse: "O Todo-Poderoso criou muitos mundos e destruiu-os ... até o nosso mundo presente ser formado".
- Bereshit Rabba 9:2 -

Se bereshit - בראשית significa "Em um começo", devemos estudar profundamente como nosso início particular surgiu e suas implicações, e para onde aponta no que pode vir em seguida. O físico e talmúdico Gerald Schroeder cita em seus livros, Genesis and the Big Bang; The Discovery Of Harmony Between Modern Science and the Bible; The Science of God; The Hidden Face of God: Science Reveals the Ultimate Truth, nos quais ele demonstra que a criação divina não parou, ainda estamos enredados no "princípio" da criação. O relato bíblico dos primeiros seis dias após a criação do universo, em Gênesis, Schroeder afirma que, poderia ser entendida como uma interpretação sacerdotal dos fatos em que se seguiram, após o Big Bang. É um fato que, os sacerdotes não possuíam o conceito de tempo, desde a criação do universo. Eles estavam, sem dúvida alguma, cientes de que os cientistas da Babilônia possuíam literaturas das quais os sacerdotes judeus, durante o período do exílio, tinham acesso livremente, e nestas literaturas havia registros de que o mundo possuía a idade de 60.000 hà 1.000.000 anos. Entretanto, o Gênesis 1:1, não foi escrito como um documento com a contagem exata da idade do mundo, mas para estabelecer dois objetivos, ou seja, que o mundo e tudo que nele há, são e estão sob o domínio de Deus e para preparar o cenário para que Deus estabelecesse o dia de Sábado. E se a descrição dos sacerdotes judeus, tivesse como pretensão, ser uma descrição científica? Devemos nos lembrar que, o nível do desenvolvimento humano daquela época, era de judeus no meio do primeiro milênio AC, e que com certeza não tinham entendimento da ciência daquela era. Porém, ainda que pudessem ter algum conhecimento da cosmologia elementar, podemos constatar que eles, os sacerdotes judeus, fizeram um relato supreendentemente próximo da verdade. É obvio que o relato da criação é bem abstrata, usando um vocabulário bem impreciso. Entretanto, muitos dos conceitos da criação, somente foram desenvolvidos durante o século XX DC, mas a descrição da criação é muito próxima daquilo que temos como uma descrição moderna e de aceitação comum. O elemento água é um exemplo, de um desses conceitos. Um plasma consistia no universo inicialmente e as três formas de existência da matéria, ou seja, energia, matéria e plasma, não foi desenvolvido até o século XX. Porém, a água é uma razoável imagem do conceito de plasma. Uma abstração, é a frase: "... os céus e à terra...", uma figura literária chamada "merismo", cujo o significado abrange um conceito global. Esta frase, contém a descrição de todo o universo, tendo em vista que, para os judeus do século IV AC, os céus e à terra eram todo o universo conhecido. Um outro conceito de Gênesis é o Tempo. Em Gênesis 1:1, relata que Deus supervisionou a formação do universo durante  seis dias e no sétimo dia descansou. Há alguma indicação de que se possa afirmar, que estes dias eram dias de 24 horas? Ou são uma abstração? Os mestres rabinos afirmam que sim, estes dias relatados em Gênesis, são dias de 24 horas. Porém, se levarmos em consideração o Salmos 90:4, que diz: "Verdadeiramente, mil anos aos teus olhos, são como o dia de ontem, que já passou, e como as poucas horas das primeiras vigílias da noite.".  Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, contrariando escreveu, "esses primeiros seis dias de 24 horas, continham em si todas as idades e todos os segredos do mundo". De forma impressionante, o raciocínio conflitante dos mestres rabinos, encontra apoio na física moderna, com referência hà contagem de tempo de Gênesis 1. A compreensão deste enigma, é ter em conta a forma como o tempo passa. Segundo Einstein, o tempo é relativo. Levando-se em conta que, o tempo é retardado quando sofre os efeitos de um sistema de alta velocidade ou de alta gravidade, isso tudo em relação a um observador externo ao sistema em questão. O tempo, é normal para um observador e sua biologia, quando ele é participante de um sistema local. Porém, há outro fator além da gravidade e da velocidade que afeta a passagem do tempo, este fator é o alongamento do espaço. Foi a partir de um pequeno volume, a singularidade, que se iniciou o universo. A expansão desta singularidade ocorreu, não no universo, mas se tornou o universo, composto de toda a energia e matéria contidas em seus limites. Entretanto, fora desses limites estava o incognoscível, ou o estado negativo da consciência. Em uma tremenda velocidade, a acomodação de todo o material em expansão da singularidade, exigiu do próprio universo a sua expansão, resultando disso, o abrandamento da passagem do tempo, medido a partir da singularidade inicial. Mas, qual a relevância desta questão em relação ao Gênesis 1? É essencial, para o significado do conteúdo do capítulo e prova consistente, que aponta a verdadeira literalidade de Gênesis 1. A idade do universo é apontada pelos cosmólogos, algo em torno de 14 a 15 bilhões de anos. Schroeder* demonstra que, pela dilatação do tempo relativista, os segundos contidos nos seis dias da criação, contados a partir da singularidade inicial e tendo como referência o espaço-tempo de Deus, encontra-se a equivalência ao mesmo número de anos contabilizados, a partir da singularidade no espaço-tempo de referência terrena. Determinando desta forma, que para cada dia, dos seis primeiros dias do universo, tendo como referência o espaço-tempo divino,  corresponde ao tempo de duração dos primeiros 15 bilhões de anos do espaço-tempo terreno. A correlação entre o que acontece em todos os dias do que é relatado em Gênesis 1, foi o que aconteceu em cada era geológica. De acordo com a compreensão atual da cosmologia, paleontologia, termodinâmica e geologia, é, segundo Schroeder, extraordinário**. Portanto, se seguirmos o raciocínio matemático, ao final do sexto dia, são calculados 68 milhões de anos, contados a partir da criação de Adão, fato ocorrido hà 5778 anos atrás, já estamos no Shabat. Em um cálculo rápido, temos 5778 X 52 = 300.456 sabbaths desde a criação de Adão. Neste raciocínio matemático, Deus está apenas 5.778 /  68.000.000 = 8,5 X 10 ^ -5, ou seja, cerca de 7 primeiros segundos de distância de Deus até a singularidade. Em um artigo, o cientista da Universidade de Waterloo, Daniel Berry, escreveu, que as observações resultantes dos cálculos matemáticos acima, explica a escassez de Deus nos dias de hoje, Deus está descansando e não interromperá o seu descanso por coisas triviais, como atender ao estado que se encontra o universo. Talvez, possamos esperar uma movimentação divina mais ativa em 68.000.000 - 5.778 = 67.994.222 anos a partir de hoje, mas é inevitável afirmar da impossibilidade de verificar tal previsão. O que causou esta força instantânea? Deus proveu? Se observamos Gênesis 1:2, nele está contido a indicação sobre esta força, "A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito / o vento / o poder / A Força de Deus, pairava sobre a face das águas.  ". Schroeder, argumenta que a escuridão que encobria e face no fundo do abismo, era um Buraco Negro a 10 ^ -35 segundos e o vento, ou A Força, que estava pairando sobre a face das águas, era a única força inflacionária que forçava a expansão do Buraco Negro, transformando-o em uma bola de plasma. está foi a primeira manifestação da palavra bara - ברא de bereshit - בראשית. Após a força inflacionaria se manifestar, os fótons conseguiram escapar da força gravitacional do antigo Buraco Negro e ressoou na eternidade: "E disse Deus: deixe existir a luz, e a luz passou a existir." Outro evento, que é a origem da vida, é impossível de ser explicado pela ciência. Schroeder, observa que, excede em muito o tempo de 4,5 bilhões de anos da idade do planeta terra, como também os 15 bilhões de anos da idade do universo, para que uma reação química aleatória produzisse uma simple molécula de replicação autônoma. A causa inicial, para a evolução da vida, como é conhecida hoje, de fato, apareceu somente hà 700 milhões de anos após a formação o planeta terra. Em concordância com Gênesis a vida foi criada por Deus, sendo este fato vinculado às quatro menções da palavra bara - ברא de Gênesis 1. De forma clara, o que temos, é que alguma força agitou a termodinâmica das reações química nas águas primitivas e produziu as proteínas e os ácidos nucléicos, ou, seja lá o quê! Ninguém tem esta resposta. Agora, qual a fonte do tempo? Cada dia da criação é enumerado na Torah. Em Gênesis 1:5, está escrito que: "A tarde e a manhã do "dia um". Entretanto, a descrição dos demais dias da criação, foi registrada de forma diferente, em vez de "noite e manhã do "dia dois", como seria de se esperar, o relato se fez seguindo o seguinte formato: "noite e manhã do segundo dia". Com uma forma gramatical diferente, usado somente para o dia um, yom echard, o que também possui o significado um "um único dia". Por que "dia um"? Por que todos os acontecimentos estão sendo analisados a partir da perspectiva de Deus. Ainda não havia um outro dia para iniciar uma sequência. Os comentaristas bíblicos tinha esta questão em alta conta. Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, foi um comentarista bíblico que se aprofundou nos estudos textuais do Talmud, dizer que ele foi um místico em nada denigre a sua imagem, pois, para se alcançar a capacidade de pensar além dos limites do conhecimento, era necessário ser um bom místico. Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, quando descreveu os primeiros segundos do universo em seu Comentário Sobre o Gênesis, poderia ter sido um ótimo cosmólogo, por ter sido o primeiro a cita o Big Bang. Em seu relato, uma erupção cutânea, Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, afirma que, antes do universo, não havia nada, mas, repentinamente, a criação inteira se manifestou como uma minúscula mancha. Era algo muito pequeno, menor do que uma semente de mostarda. Segundo Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, foi a única criação física. Não havia nenhuma outra criação física; Todas as outras criações eram espirituais. Nestas afirmações, podemos entendê-las como uma interpretação da manipulação de Deus nas potencialidades de existência e não na manipulação material.  Ele ainda afirma que, "quando algo é formado, o tempo se apodera". O tempo não produzia efeito algum, até que a matéria se formasse a partir do ponto. O tempo já existia antes que a matéria estivesse manifesta, mas não havia nada que pudesse ser envolvida pelo tempo. Porém, quando a matéria se formou, o tempo manifestou em seus efeitos. Esta é uma revelação extraordinária! O relógio de universos, somente iniciou quando a substância original de plasma-energia condensou-se em matéria. A ciência demonstrou que o tempo não passa, quando o plasma puro é utilizado na construção de ondas quânticas de partículas. A energia se propaga na velocidade da luz, e o tempo a esta velocidade se contraem a tempo zero. Entretanto, uma vez que a energia se transforma em matéria, de acordo com E =  mc ^ 2, o tempo se inicia  com a manifestação de seus efeitos. O universo, estava sofrendo o efeito do tempo e envelhecendo, porém, o tempo somente tornou-se relevante em seus efeitos, quando a matéria foi formada. Durou 1 / 1.000.000 de segundo, o momento do tempo antes do início do relógio bíblico, um único e minúsculo segundo. Entretanto, naquele minúsculo momento de tempo, o universo se expandiu, a partir de uma minúscula medida para o tamanho do nosso Sistema Solar. Foi a partir desse momento, a matéria se formou, e o tempo tinha algo para manifestar os seus efeitos de transformação. Assim, foi quando o tempo passou a ser contado.  Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, estava ciente e relatou sobre a natureza física da terra, que ela era uma esfera. Em um de seus relatos, faz a seguinte observação: "Na terra, a noite e a manhã, estão sempre presentes. A cada momento, há na terra, mudanças de lugares de onde é de "manhã" e nos lugares opostos ao de "manhã", designa-se a "tarde"". Mas, um pensamento elevou-se em sua mente, "por que a conta do Gênesis faz menção de "noites" e "manhãs", antes que à terra, o sol e a lua estivessem sidos criados? Além disso, a constituição de um dia não é formado por uma "tarde" e uma "manhã""! Os sacerdotes rabinos de Gênesis 1, sabiam disso. Esta estranha forma de expressão pretendia passar uma mensagem, e Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, cita Onkelos, que, no segundo século DC, conseguiu decifra esta mensagem. No hebraico para a expressão "noite" é erev. A raiz da palavra erev, corresponde a uma palavra que significa "obscuro" ou mesmo "desordenada". A outra expressão utilizada, é "manhã", na língua hebraica é boker, cuja raiz corresponde a outra palavra que significa - adivinhar - "discernível" ou "ordenada". Os textos da Torah nos diz que, "depois de cada dia, o universo progrediu de desordem à ordem". Ou seja, "... e Deus viu tudo o que Ele havia feito, e achou muito bom.". Mas Onkelos, traduziu estra frase como: "Deus viu todas as suas obras e elas estavam em ordem completa.". Porém, há uma questão que ainda não foi respondida pela ciência sobre o universo, que é a quantidade de matéria. Portanto, qual é a história possível no futuro? É de conhecimento que, desde de que o universo iniciou com o Bing Bang, o universo vem em uma taxa de expansão contínua e segundo os cosmólogos, não estaria desacelerando. Então, qual o destino desta expansão? Há três caminho possíveis, nesta equação: 1 - A expansão continua; 2 - Haverá uma desaceleração e uma estabilização;  3 - Haverá uma contração e o retorno à singularidade, ou um Big Crunch. Se o futuro do universo for um Big Crunch, consequentemente poderia haver um outro Big Bang, e seria necessário uma Força, além do que a física conhece, para que o universos se expanda novamente. Se Deus já agiu desta forma uma vez, o que pode impedi-Lo de continuar a fazê-lo no futuro? Como Deus é infinito, não há nenhum problema para Deus, em ter feito isso sempre, ou ter começado uma vez com um primeiro Big Bang, e ter feito alguns, muitos, mas possivelmente apenas um número finito de ciclos. Portanto, podemos retornar à redação de múltiplos começos que discutimos para o primeiro verso de Gênesis. Talvez, em dizer "Em um princípio, Deus criou os céus e à terra", a Torah está dizendo que nossa criação atual era apenas uma das muitas; que, de fato, há um ciclo de expansão e contração, e que Deus fornece a força para fazê-lo funcionar uma e outra tantas vezes, pela Sua Vontade. Talvez o uso de "Em um começo ..." pretendia nos alertar sobre o destino final do universo em que vivemos.

* Para compreensão desta dilatação de tempo, presuma-se que a cada segundo, um pulso de luz pisca no ponto da singularidade inicial, tendo como referência a observação divina. A velocidade da luz, é de cerca de 300 milhões de metros por segundo. Assim, pelo menos inicialmente, os pulsos seriam espaçados a 300 milhões de metros de distância. Desde então, no entanto, o universo vem se expandindo. Esta expansão causa um alongamento do espaço em si, então, a distância entre os pulsos também se espaçam. Uma vez que, a velocidade da luz é constante, o tempo entre os pulsos aumenta até o ponto de que, o que foi um segundo na estrutura de referência divina, é de cerca de trilhões de segundos em relação ao quadro de referência terrena. Os cosmólogos, realizaram esta medição desse índice de expansão e o chamam de "mudança vermelha". Expressar esse índice em dias, nos dá seis trilhões de dias, ou cerca de 16 bilhões de anos. Uma vez que, Adão foi criado em um instante durante o sexto dia, não no seu fim, e por algumas razões técnicas e cosmológicas, os 16 bilhões de anos devem ser reduzidos em um número menos 10%, deixando a idade do universo do ponto de vista da Bíblia, como algo em torno 15 bilhões de anos.


**É importante ressaltar que, cada dia em Gênesis 1, não constitui um sexto do tempo total. Os cinco primeiros dias do Gênesis, até a criação de Adão, não são iguais em duração em nosso quadro de referência. Cada vez que o universo dobra em tamanho, a passagem da metade do tempo quando projetamos esse tempo de volta ao início do universo. A taxa de duplicação, ou seja, a taxa de variação fracionada, é muito rápida no início e diminui com o tempo, simplesmente porque, à medida que o universo aumenta, leva mais e mais tempo para que seu tamanho geral seja duplicado. Por isso, os primeiros cinco dias contêm a maior parte dos 15 milhões de anos. 

Vá! Vá agora!  Não pare no caminho, o tempo tem pressa!
A vela está acesa, e a chama ainda queima!

¡Vaya! ¡Vaya ahora! No se detenga en el camino, el tiempo tiene prisa!
La vela está encendida, y la llama aún quema!


Go! Go now! Don't stop in the way, the time have hurry!
The candle is lit, and flame still burn!



Fontes: http://www.morasha.com.br, http://kehillatisrael.net, http://www.chabad.org

Bàbá Oju mla Ègbé

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Nas Profundezas do Abismo


- Onde está sua vela? Perguntou um senhor de barba crescida, entroncado e de média estatura. - Está ali e ainda queima! Respondi indicando o local onde queimava, já pela metade, a vela que outrora me fora dada, em confiança, por outro soldado que comigo, estivera. Ela estava ao lado da entrada de uma velha tumba, meio que abandonada. Eu me prontifiquei em limpá-la, em homenagem àquele que ali descansa os seus restos mortais e que provavelmente fora esquecido por aqueles que ali o depositaram. Neste momento, fui informado que meus olhos seriam vendados e que eu deveria ser totalmente honesto quanto ao fato de nada ver. Foi neste ato que, eu acredito, minha viagem se iniciou. Fui guiado pelas vielas entre tumbas, sempre instruído por meu guia que me orientava as direções, ora a direita e ora a esquerda. Ouvia a respiração do meu guia e a conversa dos transeuntes que encontrávamos pelo caminho. O vai e vem dos veículos que passavam apressados, cada um com suas urgências. Era um dia cinzento e úmido e, de vez em quando, ouvia meu guia: - Atenção com os degraus, são três! - Agora! Nunca fora guiado por alguém e a sensação era muito desconfortante e estranha! A insegurança de não ter o sentido da visão é indescritível. Repentinamente ouvi a porta de um veículo se abrir e fui, neste instante, orientado pelo meu guia: - Cuidado com a cabeça! Entrei no veículo e fui acomodado bem ao canto esquerdo do mesmo. Eu já não sentia o desconforto de andar vendado e senti uma certa segurança. As portas se fecharam e o veículo se movimentou ladeando o local onde eu estivera. Em certa altura do trajeto, o mesmo virou a esquerda e estacionou. Pude perceber que os ocupantes na direção do veículo saíram, fiquei sozinho e assim permaneci por alguns minutos. Neste ínterim, pude me recompor e fazer uma análise da situação. Não tinha nenhuma expectativa, mas nutria a esperança e a confiança que tudo estava bem. Meus pensamentos e análises foram interrompidos quando a porta do veículo foi aberta e repentinamente foi introduzido mais algumas pessoas que foi capturado. Bem, já não estava sozinho, embora o silêncio imperasse, pois, somente eu sabia que ele estava ali e não fiz nenhum movimento para que ele percebesse da minha presença. Queria o silêncio para meditar, procurava o som do inaudível e tinha a certeza que havia mensagens a serem recebidas. Passados alguns minutos, outros três prisioneiros foram também introduzidos no veículo, então estávamos em cinco. O silêncio permaneceu entre nós, sendo, de vez em quando, quebrado pelo insistente pigarro de um dos que ali estavam ou a conversa ligeira dos guias que o veículo conduzia, mas nada que conseguisse quebrar o meu estado meditativo. O veículo partiu em movimento a zigue-zaguear frenético entre ruas, vielas, avenidas, curvas e lombadas, que em muitas das vezes, me obrigava a ajustar o meu corpo em posição segura e confortável. A certa altura deste trajeto, o veículo diminuiu a marcha e a porta do compartimento onde estávamos sentados foi aberta para a ventilação do ar, já viciado. Porta aberta e a sensação de frescor pelo ar que entrava e a renovação dos ânimos eram evidentes, pois, todos estavam oprimidos pelo calor da clausura. Depois de algumas idas e vindas, penso eu, o objetivo era de nos desorientar. O veículo parou e um a um fomos retirados de seu interior. Ao fundo podia se ouvir um barulho de enxada limpando algum terreno. Fomos conduzidos por diversos obstáculos que deveriam ser vencidos. Vencidos os obstáculos, fomos introduzidos em uma sala, isso não antes de subir por escadas com voltas e degraus de diferentes tamanhos. Meu Deus! Como é difícil estar sem a visão! Ali permanecemos por um longo período. Em minha mente sempre vinha a imagem de minhas filhas, netos e de minha adorável esposa. Estava ali por mim, por elas e por todos nós! Eu já não me encontrava mais em estado meditativo, mas com os meus sentidos de audição, tato e paladar atentos a todos os movimentos. Estava tranquilo, sabia o que buscava e o que queria. Percebi o toque de vários dos presentes, mas como os meus sentidos estavam intensamente ativos, senti uma “mão amiga”. Digo “mão amiga” em homenagem a alguém ao qual, agora, sempre o chamo de “mão amiga”. Por ele senti uma afinidade e uma segurança, pois sim, estava entre amigos. Permanecemos sentados e em silêncio por longo tempo, tempo este, que me levou a um estado de reflexão profunda sobre todo o trajeto de minha caminhada neste plano existencial. Quantas iniciações e ordenamentos, quantos segredos, quantas palavras que não se pode pronunciar e outras tantas que não se pode escrever, tantos ritos, símbolos e sigils. De repente, fui despertado pelo início das atividades do lado de fora e percebi que algo estava para começar. Meus sentidos estavam ativos, havíamos feito uma refeição rápida, mas eu não estava com apetite e sim com muita sede. Fomos levados por um dos presentes, que retirou uma parte de nossas roupas. Levantaram meus braços e o amararam acima da cabeça. Pensei comigo, estamos já a caminho, quero estar atento o máximo de todos os detalhes e de todo o caminho. A comunicação entre os membros, eram feitas por assobios e tudo transcorria de forma mais ou menos ordenada. A sensação de mistérios e apreensão, permanecia no percurso de um longo caminho percorrido por labirintos subterrâneos. Labirintos estes, permeados com o ar viciado e pelo odor da do sebo queimado, resultante das chamas que cintilavam como fantasmas. As chamas se uniam aos mascarados, que bradavam em alto e bom som: “- … não estarás bem entre nós. - … aqui não as reconhecemos. - … retira-te! - … não vás adiante”. A penumbra não me permitia enxergar. Estava sufocado pelo fumo que impregnava o ambiente e também ensurdecido pelos gritos e ruídos. Caminhei entre os dois mundos, do onírico para o real e de volta do real para o onírico. Estive, nestes momentos, entre o mundo dos monstros e o mundo dos entes de luz, transitando entre um e outro. Percebi o escabro do caos e seus obstáculos. O ruído do confronto entre a razão e a insanidade, da organização dos mundos e seus ideais. A razão e as leis, sendo totalmente dominados pelos excessos dos homens em desequilíbrio. O antagonismo das forças, com o som de seus trovões me remeteram, como se em um sonho, na luta diária comigo mesmo entre o bem que quero fazer e o mal que sempre, diante de mim, está para que eu o faça. Sabia que aquilo tinha um fim e sentia que a esperança não desvanecera e a fé se fortalecia. Como uma semente, que após o longo período no seio da mãe terra, foi-lhe permito nascer, assim eu também venci o terror da morte e conquistei o direito de germinar. Meus pensamentos estavam invadidos pela indagação, se ainda havia algum outro mundo a conhecer, quando fui arrastado por energias telúricas, novamente viajei do real para o mundo dos onírico e do onírico para o mundo real, ao redor se ouvia o tilintar das espadas movidas pela ambição. Pensei, este é o mundo em seu confronto diário. É o homem que, em seu desatino, e na ânsia de amealhar valores materiais, não se apercebe que ser é de muito maior valia, do que ter. Ser requer muito maior esforço, diante de uma sociedade que valoriza o consumo e a exibição das conquistas materiais. Ser, é a descoberta dos valores humanos e sua importância na motivação da vontade e no alcance do reconhecimento digno entre os seus. Esta segunda etapa, embora aparentemente mais fácil, penso que não o seja, pois, é o confronto do homem consigo mesmo, diante da imposição da estrutura e dos valores sociais. Ainda que ele possa se fazer de desentendido, estes valores o chamarão a razão. E, quando isto acontecer, este dia será o mais importante de sua vida. Nesta ocasião, ele será confrontado com as verdades contidas nestes valores. Assim como, também, o foi o Profeta Jonas, que lamentou a morte de uma espécie de mamoneira, mas não lamentava a morte de um povo ignorante, que não sabia discernir a mão direita, da esquerda ou entre o bem e o mal. Resplandece em minha mente a mesma questão, quais são os meus valores? Por onde ando? O que estou fazendo? Retorno a minha lucidez e desta vez, sabia que ainda havia muito mais a ser provado. Novamente fui guiado por um dos presentes e não sabia eu que esta era a última etapa a ser realizada, e novamente transitei do mundo real para o mundo onírico e novamente do mundo onírico para o mundo real. Percebi que somente havia o som do silêncio, a mensagem inaudível podia ser ouvida. Havia ordem no caos e já se podia sentir as formas. Pude, ainda que minimamente, entender a expressão de Deus, “- E viu Deus que a luz era boa!”. Neste sentimento acendeu, ainda que ao longe, uma luz em meu coração e mesmo estando sem visão, em meio a desolada escuridão, pude sentir o meu ser estremecer diante da lembrança da expressão “et lux in tenebris lucet- e a luz resplandece nas trevas, minha mente se voltou novamente a lembrança de minhas filhas, meus netos e minha adorável esposa. E por fim senti! O que vim buscar, alcancei! Eu já estou a caminho!


Vá! Vá agora!  Não pare no caminho, o tempo tem pressa!
A vela está acesa, e a chama ainda queima!

¡Vaya! ¡Vaya ahora! No se detenga en el camino, el tiempo tiene prisa!
La vela está encendida, y la llama aún quema!


Go! Go now! Don't stop in the way, the time have hurry!
The candle is lit, and flame still burn!

Bàbá Oju mla Ègbé